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A realidade educativa no nordeste português e nas escolas castelhanoleonesas e galegas fronteiriças, através da memória oral, na época das ditaduras

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A realidade educativa no nordeste português e nas escolas castelhanoleonesas e galegas fronteiriças, através da memória oral, na época das ditaduras

Ruivo, Marília Julieta Rodriguez Gomes
 
DATE : 2016-01-20
UNIVERSAL IDENTIFIER : http://hdl.handle.net/11093/527
UNESCO SUBJECT : 5312.04 Educación ; 5506.07 Historia de la Educación ; 5802 Organización y Planificación de la Educación
DOCUMENT TYPE : doctoralThesis

ABSTRACT :

Este trabalho de investigação que realizamos pretende contribuir para a construção da história educativa dos concelhos fronteiriços – transmontanos, galegos e castelhanos (Miranda do Douro, Vimioso, Vinhais, Chaves, Bermillo de Sayago, Alcañices, A Mezquita, e Verín) – que viveram situações históricas e educativas idênticas durante as respectivas ditaduras. A escolha destes concelhos deve-se, em parte, às nossas memórias afectivas, pois neles nasceram os meus pais (pai – Vinhais, mãe – Vimioso), nasci eu (Miranda do Douro) e, por último o concelho de Chaves onde vivo com a minha família. Os concelhos espanhóis foram escolhidos por fazerem fronteira com os concelhos portugueses e com eles terem todo o tipo de afinidades. Como diz o nosso amigo, Professor Doutor Maceira: “Do Douro para cima é que se fazia um País!” A verdade é que as gentes dos dois lados da fronteira têm costumes muito semelhantes e sempre conviveram, casaram e se ajudaram apesar da proibição dos respectivos governos. Estas gentes tinham pouca instrução, mas isso não obstava a que fossem educadas, afáveis e ... [+]
Este trabalho de investigação que realizamos pretende contribuir para a construção da história educativa dos concelhos fronteiriços – transmontanos, galegos e castelhanos (Miranda do Douro, Vimioso, Vinhais, Chaves, Bermillo de Sayago, Alcañices, A Mezquita, e Verín) – que viveram situações históricas e educativas idênticas durante as respectivas ditaduras. A escolha destes concelhos deve-se, em parte, às nossas memórias afectivas, pois neles nasceram os meus pais (pai – Vinhais, mãe – Vimioso), nasci eu (Miranda do Douro) e, por último o concelho de Chaves onde vivo com a minha família. Os concelhos espanhóis foram escolhidos por fazerem fronteira com os concelhos portugueses e com eles terem todo o tipo de afinidades. Como diz o nosso amigo, Professor Doutor Maceira: “Do Douro para cima é que se fazia um País!” A verdade é que as gentes dos dois lados da fronteira têm costumes muito semelhantes e sempre conviveram, casaram e se ajudaram apesar da proibição dos respectivos governos. Estas gentes tinham pouca instrução, mas isso não obstava a que fossem educadas, afáveis e simpáticas onde os princípios básicos de humanidade não foram/são esquecidos e foram/são aplicados rotineiramente. As regiões espanholas nossas vizinhas, da Galiza e Zamora (Castela), são como que “irmãs” nas paisagens maravilhosas, costumes, monumentos, gastronomia, mas também nas desgraças, quer dizer, no abandono a que os seus governos sempre as votaram. Após um estudo aturado sobre a história (finais do século XIX e século XX, até à década de setenta) dos respectivos países e ter sido feita uma investigação sobre todos os concelhos, procurou contextualizar-se a educação que era ministrada e os locais –escolas-, onde era aplicada. Falou-se ainda dos aspectos pedagógicos que tinham por base a função da escola primária, extensão e exigências do ensino, bem como a separação entre os sexos ou a coeducação, o número de alunos por turma, número máximo de salas por edifício, localização do mesmo e programas. O desenvolvimento das regiões (países) faz-se na proporção directa entre a qualidade e a quantidade de ensino/instrução que se ministra às suas populações. Para que as regiões e as suas populações não se desenvolvessem, ou o fizessem de forma o mais lenta possível, para não saírem do seu controlo, Salazar e Franco, procuraram que a instrução fosse o mais sucinta possível e orientada pela igreja. Os ensinamentos eram ministrados com “conta, peso e medida”, apenas necessitavam de saber ler, escrever e contar.. e o catecismo. Com escolas pobres, em edifícios velhos e sem condições higiénico-pedagógicas era difícil a estas gentes sair do obscurantismo a que tinham sido desde sempre submetidas. A acrescentar a tudo isto temos ainda a falta de preparação da maior parte dos professores, não por vontade própria, mas por vontade dos governos de então. Foi a vontade indomável destas gentes que fez com que saíssem vitoriosas e procurassem ultrapassar todas as arbitrariedades de que foram vítimas. O adágio popular “P’ra cá do Marão mandam os que cá estão e p’ra lá do Marão mandam os que de lá são”, diz-nos tudo sobre o espírito indomável destes povos únicos. A metodologia por nós utilizada foi a metodologia qualitativa, através da história oral. Houve entrevistas semiestruturadas, não estruturadas e conversas informais que nos ajudaram a compreender melhor como foi o ensino na época das ditaduras. Foram realizadas por nós cento e quarenta e seis entrevistas nos oito concelhos, que nos proporcionaram um convívio inigualável com os actores directos e, para grande pena nossa mais de quarenta já nos deixaram. Sem estas entrevistas ter-se-iam perdido tanta informação! Quando a história de vida é contada pelos próprios, faz com que eles emerjam como pessoas únicas, pois podem revelar todos os seus sentimentos, as suas emoções, as suas ambições, as suas vivências e as suas frustrações. É através da história oral que podemos recolher toda esta riqueza. A cultura, as tradições, os saberes ancestrais sempre foram transmitidos oralmente, apesar de que esta metodologia não tinha valor científico. Foi o incremento e a popularidade alcançada por esta metodologia recentemente que lhe deu credibilidade, pois a perda de fé no racionalismo ilustrado fez com que nos refugiássemos nas pequenas narrativas pessoais, que são autênticas. Deste modo a história dos povos ganha um sentido mais humano do que teria se se ficasse apenas pela narrativa fria e dura dos factos. A nossa intenção era ajudar a conservar e a transmitir esse conhecimento sobre as escolas, a sua vida, estrutura e restantes componentes, por isso decidimos ouvir essas fontes orais que fizeram parte delas. Para tornar possível o nosso trabalho foi necessário organizá-lo, tendo em conta os contextos da nossa investigação, julgamos prioritários os seguintes objectivos: - Rever a literatura disponível relacionada com a história do ensino em Portugal, na Galiza e em Castela e León; - Conhecer a história, cultura e escolaridade dos oito concelhos abrangidos; - Procurar elementos que nos elucidassem sobre as causas e percentagens do analfabetismo; - Conhecer os diferentes modelos de formação de professores; - Analisar concepções, enfoques, modelos organizacionais e pedagógico-didácticos da escola; - Conhecer os processos de pensamento dos alunos que frequentaram a escola nas décadas de 30, 40 e 50; - Dar voz a quem não tem… Após termos explicitado quais os objectivos deste trabalho de investigação, falámos do enfoque metodológico, onde são abordadas as concepções plurais, e, entre os quais se escolheu a que permitia uma abertura segura e procedimentos adaptados à realidade. Os resultados, ou melhor, as reflexões finais, alicerçadas na recolha dos testemunhos das fontes orais, são os encantos e os desencantos da sua vida escolar, das oportunidades perdidas e muitas vezes negadas, da falta de condições (edifícios, material escolar e didáctico…), do abandono por parte do poder central e do regional ou ainda da falta de interesse que alguns dos progenitores tinham em os mandar à escola. Procurámos captar os sentimentos, as emoções, os valores por que se regiam e, sobretudo, a força que os levou a sair vencedores mesmo perante tantas vicissitudes e adversidades. “A memória é a vida. Sempre reside em grupos que vivem e, portanto, encontra-se em permanente evolução. Está submetida à dialética da recordação e do esquecimento, ignorando as suas deformações sucessivas, aberta a todo o tipo de uso e manipulação. Por vezes permanece latente durante largos períodos para logo reviver subitamente. A história é a sempre incompleta e problemática reconstrução do que já não está. A memória pertence sempre à nossa época e constitui um pedaço vivido com o presente eterno; a história é uma representação do passado.” [-]

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